Cameras de foto, de vídeo, geléia e o Santo Graal. #parte1

Resumo das últimas semanas no glorioso mundo das câmeras de cinema e dos diretores de fotografia mais antenados (e dos blogs com os quais tive que me atualizar após um belo hiato internético): saíram as muito esperadas D90 e Canon 5D Mark II.

Muito se conversou sobre o quão pouco elas oferecem de controles manuais, sobre como a compressão que elas utilizam detonam as imagens, enfim, o quanto elas servem para dar ao povo que quer: fazer filminhos tão lindos quanto seus álbuns do flickr. Uma espécie de Santo Graal genérico.

Ainda assim resolvi fazer aqui uma coisa inédita e dizer tudo de novo, só que do meu jeito — afinal de contas isso aqui ainda é um blog. E só porque eu gastei muito dinheiro, um belo dia, em um monte de lentes Nikon, que estão jogadas por aí, vou falar da D90. Para minha sorte, já existe um montão de testes com ela no Vimeo (cuidado, ao abrir as imagens em full size: vocês verão uma compressão medonha! Ela é o resultado da compressão do Vimeo sobre a compressão da D90, e é tão bela quanto um luau de pixels ululantes). Mas, enfim, a câmera não é inteiramente manual.

Ela comprime os filmes pra caramba, rende movimentos extremamente mal, com um nível muito alto do famoso “rolling shutter skew” — um problema que começou a ser vivido pelos realizadores depois que as fabricantes de câmeras começaram a mudar o tipo de sensor para imagens em movimento (antigamente eram CCDs, agora são CMOS, uma guerra de tecnologias parecida com TVs de Plasma e LCD). O skew é carinhosamente chamado de “Jello-Cam” (camera geléia). Aliás, geleia não tem mais acento. E, antes que eu me esqueça, o High Definition dela é 720p, não 1080p.

Nota de rodapé fora do rodapé: Jello é gelatina em inglês, e não geléia. Optei por uma tradução mais livre e mais calórica. Mal aê.

Mas, enfim, qualquer diretor de fotografia que se preze gritaria “Que porcaria!”, revoltado com essa fútil ferramenta amadora: imagem comprimida? Geleia? Sem controles manuais? É uma pena não podermos ter tudo… Porque uma câmera com a mesma funcionalidade de uma dessas câmeras da revolução DV (desde a VX-1000 até a EX-1, passando pelas 24p e HVX200), as famosas “prosumer cameras”, e com a qualidade de uma DLSR (Camera fotográfica reflex digital, como a D70, D50, D40, Canon 20D 30D, Rebel, qualquer uma que mereça o nome de câmera fotográfica!) é o que todos os videomakers, filmmakers, troublemakers, lovemakers e pacemakers, esperam desde a aurora dos tempos.

Esse desejo deu origem às lendas do Santo Graal e à RED, por exemplo. E quase foi verdade, por um breve instante em nossos corações (aquela noite chuvosa em que esperamos o lançamento da D90). Mas ainda assim, me pergunto: Será que uma D90 já não superaria meu kit DVX100+RedrockMicro? Onde tinha que lutar com problemas de backfocus, baixa resolução, e compressão DV, que não é nenhuma maravilha? Olha só esse clip que fotografei há alguns anos:
YouTube Preview Image

Nessa filosofia, um gringo bem legal pegou sua D90 e fez um breve teste lado a lado com a HVX200, o novo standard de cameras de video HD de baixo custo e resultado “da hora”.


D90 and HVX side-by-side test from Chronicle Project on Vimeo.


E o que vemos? Profundidade de campo de 35mm, lentes bacanas e com perspectivas variadas (diferentes das lentes de câmeras de vídeo prosumer), flares bonitos, e uma latitude e rendição de cores explêndida, para começar. “Essas câmeras estouram bonito, cara”. Algo que se repete nesses outros videos do Jason Zada:


What did you do Saturday? from Jason Zada on Vimeo.



The Pumpkin Patch from Jason Zada on Vimeo.


Bom, dá para ver que se ainda não estamos lá, estamos perto!

Mas ainda não estamos lá. Na última parte desse texto, o que falta para chegarmos lá e ruminações sobre as possibilidades, depois que esse futuro virar presente.

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